/COLUNA FAMILIA TEA/ “HIPOTONIA E TEA”, por Ana Michele de Carvalho

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Dentre os sinais motores no TEA, a hipotonia se destaca como uma característica clínica frequentemente observada, mas ainda subestimada no processo de avaliação e intervenção. A presença de hipotonia pode se manifestar desde os primeiros meses de vida e está associada a atrasos no desenvolvimento motor, alterações posturais e dificuldades funcionais, o que reforça a importância de sua identificação precoce.

A hipotonia é descrita como uma diminuição do tônus muscular em repouso, refletida por menor resistência ao movimento passivo e pela dificuldade em manter posturas contra a gravidade. Embora seja classicamente observada em síndromes genéticas e doenças neuromusculares, tem sido cada vez mais relatada em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Hipotonia e o desenvolvimento motor no TEA

Estudos indicam que 30% a 60% das crianças com TEA apresentam hipotonia em algum grau (Ming et al., 2007; Bhat et al., 2011). Esse achado pode se manifestar precocemente, antes mesmo dos dois anos de idade, sendo considerado por alguns autores um possível marcador clínico inicial.

A presença de hipotonia está associada a:
atraso motor global (engatinhar, sentar, andar);
• instabilidade postural e maior dependência de apoios;
• fadiga precoce em tarefas motoras sustentadas;
• dificuldades em habilidades motoras finas, como grafomotricidade e manipulação de objetos pequenos.

Além disso, a hipotonia pode comprometer a aquisição de padrões de marcha eficientes, levando a base alargada, menor cadência e dificuldade em transições posturais.

Relação com integração sensorial e motricidade global

Autores como Fournier et al. (2010) e Lloyd et al. (2013) destacam que a hipotonia frequentemente coexiste com déficits de planejamento motor e integração sensorial, reforçando a hipótese de que alterações motoras no TEA não se restringem a atraso no desenvolvimento, mas refletem diferenças neurofuncionais.

Essas alterações contribuem para déficits de equilíbrio e coordenação, que impactam diretamente a autonomia nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e na participação social.

A avaliação fisioterapêutica precoce é essencial para identificar déficits de tônus e suas repercussões funcionais.

A hipotonia é uma manifestação frequente em crianças com TEA, com repercussões diretas no desenvolvimento motor e funcionalidade. O reconhecimento precoce dessa condição permite a implementação de estratégias fisioterapêuticas direcionadas, capazes de minimizar atrasos e promover maior participação social.

Agradeço ao grupo Família TEA Bauru que me deu a oportunidade de fazer parte desse movimento tão lindo e importante; agradeço também ao Portal GPN, pela oportunidade de falar um pouquinho mais sobre a importância da fisioterapia no processo de evolução dos nossos autistas.

SOBRE ANA MICHELE N.V.T. DE CARVALHO
Formada há 18 anos pela UENP
Sócia da Clínica Atlas
Fisioterapeuta da Equipe de Reabilitação Especializada em TEA – Sorri Bauru
Pós Graduada em fisioterapia neurofuncional adulto e pediátrico
Formada no Conceito Neuroevolutivo Bobath
Formada no primeiro modulo de Integração Sensorial
Formada no Snoezelen
Formada no Protocolo Pediasuit
Formada em aplicadora ABA no autismo

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